Pesquisa

Mostrar mensagens com a etiqueta estudos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta estudos. Mostrar todas as mensagens

Afinal não será preciso tomar antibióticos até ao fim?


OMS diz que antibióticos devem ser tomados até ao fim do tratamento prescrito, devido ao risco de criar resistência aos medicamentos. Especialistas defendem agora que não é bem assim

Um grupo de especialistas em doenças infecciosas, a desenvolver investigação nas escolas de medicina de Brighton e Sussex, no Reino Unido, defende que os doentes devem parar de tomar antibióticos quando se sentem melhor e que é desnecessário continuar a tomá-los até ao final do tratamento.

Tradicionalmente, aos doentes é dito que não interrompam a toma de antibióticos antes do final do tratamento prescrito, sob pena de a bactéria que está a ser combatida sofrer mutações e tornar-se resistente ao medicamento. Esta é, inclusivamente, uma orientação da Organização Mundial de Saúde.

Porém, o professor Martin Llewelyn e os colegas que o assistiram garantem que esta medida preventiva não é necessária: num estudo publicado no British Medical Journal, citado pelo The Guardian, os peritos defendem que "a ideia de que parar precocemente o tratamento com antibiótico encoraja a resistência ao antibiótico não é comprovada pelas provas, enquanto que tomar antibióticos por mais tempo do que o necessário aumenta o risco de resistência".


Norte - Minho-Lima - Arcos de Valdevez - Caminha - Melgaço - Paredes de Coura - Ponte da Barca - Ponte de Lima- Valença - Viana do Castelo - Vila Nova de Cerveira - Cávado - Amares - Barcelos - Braga - Esposende - Terras de Bouro - Vila Verde - Ave - Fafe - Guimarães - Póvoa de Lanhoso - Santo Tirso - Trofa - Vieira do Minho - Vila Nova de Famalicão - Vizela - Grande Porto - Vila Nova de Gaia - Espinho - Gondomar - Matosinhos - Porto - Maia - Póvoa de Varzim - Valongo - Vila do Conde - Tâmega - Amarante - Baião - Cabeceiras de Basto - Castelo de Paiva - Celorico de Basto - Cinfães - Felgueiras - Lousada - Marco de Canaveses - Mondim de Basto - Paços de Ferreira - Paredes - Penafiel - Resende - Ribeira de Pena - Entre Douro e Vouga - Arouca - Oliveira de Azeméis - Santa Maria da Feira - São João da Madeira - Vale de Cambra - Douro - Alijó -Armamar - Carrazeda de Ansiães - Freixo de Espada à Cinta - Lamego - Mesão Frio - Moimenta da Beira - Penedono - Peso da Régua - Sabrosa - Santa Marta de Penaguião - São João da Pesqueira - Sernancelhe - Tabuaço - Tarouca - Torre de Moncorvo - Vila Flor - Vila Nova de Foz Côa - Vila Real - Alto Trás-os-Montes - Alfândega da Fé - Boticas - Bragança - Chaves - Macedo de Cavaleiros - Miranda do Douro - Mirandela - Mogadouro - Montalegre - Murça - Valpaços - Vila Pouca de Aguiar - Vimioso - Vinhais - Centro - Baixo Vouga - Águeda - Albergaria-a-Velha - Anadia - Aveiro - Estarreja - Ílhavo - Mealhada - Murtosa - Oliveira do Bairro - Ovar - Sever do Vouga - Vagos - Baixo Mondego - Cantanhede - Coimbra - Condeixa-a-Nova - Figueira da Foz - Mira - Montemor-o-Velho - Penacova - Soure - Pinhal - Litoral - Batalha - Leiria - Marinha Grande - Pombal - Porto de Mós - Pinhal - Interior Norte - Alvaiázere - Ansião - Arganil - Castanheira de Pêra - Figueiró dos Vinhos - Góis - Lousã - Miranda do Corvo - Oliveira do Hospital - Pampilhosa da Serra - Pedrogão Grande - Penela - Tábua - Vila Nova de Poiares - Dão-Lafões - Aguiar da Beira - Carregal do Sal - Castro Daire - Mangualde - Mortágua - Nelas - Oliveira de Frades - Penalva do Castelo - Santa Comba Dão - São Pedro do Sul - Sátão - Tondela - Vila Nova de Paiva - Viseu - Vouzela - Pinhal - Interior Sul - Mação - Oleiros - Proença-a-Nova - Sertã - Vila de Rei - Serra da Estrela - Fornos de Algodres - Gouveia - Seia - Beira Interior Norte - Almeida - Celorico da Beira - Figueira de Castelo Rodrigo - Guarda - Manteigas - Meda - Pinhel - Sabugal - Trancoso - Beira Interior Sul - Castelo Branco - Idanha-a-Nova - Penamacor - Vila Velha de Ródão - Cova da Beira - Belmonte - Covilhã - Fundão - Oeste - Área Alcobaça -Alenquer - Arruda dos Vinhos - Bombarral - Cadaval - Caldas da Rainha - Lourinhã - Nazaré - Óbidos - Peniche - Sobral de Monte Agraço - Torres Vedras - Médio Tejo - Abrantes - Alcanena - Constância - Entroncamento - Ferreira do Zêzere - Ourém - Sardoal - Tomar - Torres Novas - Vila Nova da Barquinha - Lisboa - Lisboa- Amadora - Cascais - Odivelas - Oeiras - Loures - Mafra - Sintra - Vila Franca de Xira - Setúbal - Seixal - Almada - Barreiro - Moita - Montijo - Palmela - Alcochete - Sesimbra - Setúbal - Alentejo - Alcácer do Sal - Grândola - Odemira - Santiago do Cacém - Sines - Alto Alentejo - Alter do Chão - Arronches - Avis - Campo Maior - Castelo de Vide - Crato - Elvas - Fronteira - Gavião - Marvão - Monforte - Mora - Nisa - Ponte de Sor - Portalegre - Alentejo Central - Alandroal - Arraiolos - Borba - Estremoz - Évora - Montemor-o-Novo - Mourão - Portel - Redondo - Reguengos de Monsaraz - Sousel - Vendas Novas - Viana do Alentejo - Vila Viçosa - Baixo Alentejo - Aljustrel - Almodôvar - Alvito - Barrancos - Beja - Castro Verde - Cuba - Ferreira do Alentejo - Mértola - Moura - Ourique - Serpa - Vidigueira - Lezíria do Tejo - Almeirim - Alpiarça - Azambuja - Benavente - Cartaxo - Chamusca - Coruche - Golegã - Rio Maior - Salvaterra de Magos - Santarém - Algarve - Albufeira - Aljezur - Lagoa - Lagos - Monchique - Portimão - Silves - Vila do Bispo - São Brás de Alportel - Castro Marim - Faro - Tavira - Olhão - Loulé - Alcoutim - Vila Real de Santo António - Região Autónoma dos Açores - Angra do Heroísmo - Calheta - Corvo - Horta - Lagoa - Lajes das Flores - Lajes do Pico- Madalena - Nordeste - Ponta Delgada - Povoação - Ribeira Grande - Santa Cruz da Graciosa - Santa Cruz das Flores - São Roque do Pico - Velas - Vila da Praia da Vitória - Vila do Porto - Vila Franca do Campo - Região Autónoma da Madeira - Calheta - Câmara de Lobos - Funchal - Machico - Ponta do Sol - Porto Moniz - Porto Santo - Ribeira Brava - Santa Cruz - Santana - São Vicente

Idosos fecham-se mais em casa e veem mais televisão

fonte: DN

Os reformados idosos de hoje fecham-se mais em casa, veem mais televisão e as diferenças de comportamento e ocupação de tempos livres são cada vez menores entre quem vive na cidade ou no campo, revela um estudo.

Realizado pela socióloga Maria João Valente Rosa, a pedido da Fundação Inatel, o estudo "Os reformados e os tempos livres" tem por base dois inquéritos realizados à população reformada (um no final de 2014 e outro em 1998) sobre atividades de lazer.

Maria João Valente Rosa destacou algumas conclusões do estudo sobre os idosos de hoje: "Fecham-se mais em casa do que no passado", as atividades de lazer relacionais são menos diversificadas e a televisão ganhou um "protagonismo especial".

Em 2014, apenas 10% declararam ocupar os tempos livre em atividades de lazer fora de casa, contra 17% em 1998.

Por outro lado, aumentou de 53% em 1998 para 64% em 2014 a percentagem de pessoas que declararam passar o tempo de lazer exclusivamente em casa, refere o estudo, publicado em livro, que é lançado na quarta-feira em Lisboa.

"À semelhança do que já acontecia em 1998, as mulheres continuam claramente a dominar esse privilégio do espaço doméstico", adianta.

Contudo, excetuando as atividades religiosas em que as mulheres continuam muito mais participantes, as diferenças entre sexos tendem a esbater-se em relação ao passado

O estudo aponta que a televisão é a atividade de lazer dominante (90%), com os reformados a dedicarem-lhe em média 21 horas por semana em 2014, contra 16 em 1998.

Há atividades que diminuíram de "forma significativa", como frequentar jardins públicos, sociedades recreativas, ir ao café, viajar, ver desporto ao vivo, ir a mercados ou centros comerciais, jogar às cartas, ouvir rádio, ir a bailes ou visitar museus e exposições.

Entre as atividades que aumentaram, embora pouco, encontram-se ler jornais ou revistas e ler livros, o que pode ligar-se ao aumento da escolaridade dos idosos.

O estudo aponta, por outro lado, que "viver em meio urbano ou rural faz cada vez menos diferença em relação aos comportamentos e às opções de tempos de livres".

"O que marca cada vez mais a diferença é a posição socioeconómica, em especial a instrução das pessoas. É aqui que as diferenças se podem jogar em termos de opções", disse Maria João Valente Rosa.

Para a socióloga, "as conclusões são surpreendentes", abrem pistas em relação ao futuro e apontam que a "era de reformados tecnológicos, audiovisuais e curiosos pelo saber está em curso".

"A casa abriu as portas em relação ao mundo e aos outros e o isolamento e a solidão são cada vez menos sinónimos. E por isso é necessário lidar com estes conceitos de forma diferente com que lidávamos nos anos passados", sublinhou.

Hoje os idosos estão mais próximos das novas tecnologias: em 2002, apenas 3% utilizavam o computador, hoje são 23%.

"As pessoas podem estar isoladas, mas não estar sós". Através da televisão, da internet ou do telemóvel pode estar em contacto com os outros e "chegar a mundos que outrora não conseguiam chegar".

"O que importa e que vai fazendo cada vez mais a diferença é a questão do acesso à informação e a questão do conhecimento. São estes dois pilares que vão estruturar as grandes opções no futuro", defendeu a socióloga.

Para o presidente da Fundação Inatel, Fernando Ribeiro Mendes, o estudo mostra que existe "um défice de ofertas de lazer mais ativas e de convívio por parte de todas as entidades, setor público e setor privado, para combater a solidão e a exclusão" de alguns idosos.

Norte - Minho-Lima - Arcos de Valdevez - Caminha - Melgaço - Paredes de Coura - Ponte da Barca - Ponte de Lima- Valença - Viana do Castelo - Vila Nova de Cerveira - Cávado - Amares - Barcelos - Braga - Esposende - Terras de Bouro - Vila Verde - Ave - Fafe - Guimarães - Póvoa de Lanhoso - Santo Tirso - Trofa - Vieira do Minho - Vila Nova de Famalicão - Vizela - Grande Porto - Vila Nova de Gaia - Espinho - Gondomar - Matosinhos - Porto - Maia - Póvoa de Varzim - Valongo - Vila do Conde - Tâmega - Amarante - Baião - Cabeceiras de Basto - Castelo de Paiva - Celorico de Basto - Cinfães - Felgueiras - Lousada - Marco de Canaveses - Mondim de Basto - Paços de Ferreira - Paredes - Penafiel - Resende - Ribeira de Pena - Entre Douro e Vouga - Arouca - Oliveira de Azeméis - Santa Maria da Feira - São João da Madeira - Vale de Cambra - Douro - Alijó -Armamar - Carrazeda de Ansiães - Freixo de Espada à Cinta - Lamego - Mesão Frio - Moimenta da Beira - Penedono - Peso da Régua - Sabrosa - Santa Marta de Penaguião - São João da Pesqueira - Sernancelhe - Tabuaço - Tarouca - Torre de Moncorvo - Vila Flor - Vila Nova de Foz Côa - Vila Real - Alto Trás-os-Montes - Alfândega da Fé - Boticas - Bragança - Chaves - Macedo de Cavaleiros - Miranda do Douro - Mirandela - Mogadouro - Montalegre - Murça - Valpaços - Vila Pouca de Aguiar - Vimioso - Vinhais - Centro - Baixo Vouga - Águeda - Albergaria-a-Velha - Anadia - Aveiro - Estarreja - Ílhavo - Mealhada - Murtosa - Oliveira do Bairro - Ovar - Sever do Vouga - Vagos - Baixo Mondego - Cantanhede - Coimbra - Condeixa-a-Nova - Figueira da Foz - Mira - Montemor-o-Velho - Penacova - Soure - Pinhal - Litoral - Batalha - Leiria - Marinha Grande - Pombal - Porto de Mós - Pinhal - Interior Norte - Alvaiázere - Ansião - Arganil - Castanheira de Pêra - Figueiró dos Vinhos - Góis - Lousã - Miranda do Corvo - Oliveira do Hospital - Pampilhosa da Serra - Pedrogão Grande - Penela - Tábua - Vila Nova de Poiares - Dão-Lafões - Aguiar da Beira - Carregal do Sal - Castro Daire - Mangualde - Mortágua - Nelas - Oliveira de Frades - Penalva do Castelo - Santa Comba Dão - São Pedro do Sul - Sátão - Tondela - Vila Nova de Paiva - Viseu - Vouzela - Pinhal - Interior Sul - Mação - Oleiros - Proença-a-Nova - Sertã - Vila de Rei - Serra da Estrela - Fornos de Algodres - Gouveia - Seia - Beira Interior Norte - Almeida - Celorico da Beira - Figueira de Castelo Rodrigo - Guarda - Manteigas - Meda - Pinhel - Sabugal - Trancoso - Beira Interior Sul - Castelo Branco - Idanha-a-Nova - Penamacor - Vila Velha de Ródão - Cova da Beira - Belmonte - Covilhã - Fundão - Oeste - Área Alcobaça -Alenquer - Arruda dos Vinhos - Bombarral - Cadaval - Caldas da Rainha - Lourinhã - Nazaré - Óbidos - Peniche - Sobral de Monte Agraço - Torres Vedras - Médio Tejo - Abrantes - Alcanena - Constância - Entroncamento - Ferreira do Zêzere - Ourém - Sardoal - Tomar - Torres Novas - Vila Nova da Barquinha - Lisboa - Lisboa- Amadora - Cascais - Odivelas - Oeiras - Loures - Mafra - Sintra - Vila Franca de Xira - Setúbal - Seixal - Almada - Barreiro - Moita - Montijo - Palmela - Alcochete - Sesimbra - Setúbal - Alentejo - Alcácer do Sal - Grândola - Odemira - Santiago do Cacém - Sines - Alto Alentejo - Alter do Chão - Arronches - Avis - Campo Maior - Castelo de Vide - Crato - Elvas - Fronteira - Gavião - Marvão - Monforte - Mora - Nisa - Ponte de Sor - Portalegre - Alentejo Central - Alandroal - Arraiolos - Borba - Estremoz - Évora - Montemor-o-Novo - Mourão - Portel - Redondo - Reguengos de Monsaraz - Sousel - Vendas Novas - Viana do Alentejo - Vila Viçosa - Baixo Alentejo - Aljustrel - Almodôvar - Alvito - Barrancos - Beja - Castro Verde - Cuba - Ferreira do Alentejo - Mértola - Moura - Ourique - Serpa - Vidigueira - Lezíria do Tejo - Almeirim - Alpiarça - Azambuja - Benavente - Cartaxo - Chamusca - Coruche - Golegã - Rio Maior - Salvaterra de Magos - Santarém - Algarve - Albufeira - Aljezur - Lagoa - Lagos - Monchique - Portimão - Silves - Vila do Bispo - São Brás de Alportel - Castro Marim - Faro - Tavira - Olhão - Loulé - Alcoutim - Vila Real de Santo António - Região Autónoma dos Açores - Angra do Heroísmo - Calheta - Corvo - Horta - Lagoa - Lajes das Flores - Lajes do Pico- Madalena - Nordeste - Ponta Delgada - Povoação - Ribeira Grande - Santa Cruz da Graciosa - Santa Cruz das Flores - São Roque do Pico - Velas - Vila da Praia da Vitória - Vila do Porto - Vila Franca do Campo - Região Autónoma da Madeira - Calheta - Câmara de Lobos - Funchal - Machico - Ponta do Sol - Porto Moniz - Porto Santo - Ribeira Brava - Santa Cruz - Santana - São Vicente

Portugal é dos países europeus com menos cuidados para idosos

fonte: LUSA

Portugal é dos países europeus onde as pessoas idosas são mais abandonadas, com menos profissionais a elas dedicados e menos dinheiro alocado, diz um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado esta segunda-feira.

A propósito do Dia Mundial do Idoso, que se assinala na próxima quinta-feira, a OIT publicou o estudo "Long-term care protection for older persons: A review of coverage deficits in 46 countries" (Proteção continuada a idosos: uma revisão de défice de cobertura em 46 países).

O trabalho indica que no mundo são necessários 13,6 milhões de trabalhadores para haver uma cobertura universal em termos de cuidados continuados a pessoas com 65 e mais anos.

Na Europa, Portugal tem das mais baixas taxas segundo os quadros apresentados no estudo e que englobam muitos dos países (nem todos estão contemplados em todos os quadros do estudo): 0.4 trabalhadores formais por cada 100 idosos. A França tem 1.1, a Espanha 2.9, a Holanda 7.3 e a Noruega 17.1.

Estes números levam a que, salienta o estudo, mesmo países desenvolvidos da Europa, como Irlanda, França, Eslováquia e Portugal, entre 56,6 e 90,4% das pessoas com mais de 65 anos não tenham acesso a serviços continuados de qualidade por falta de trabalhadores nessa área. Os 90,4%, o número mais alto, referem-se a Portugal.

Os números indicam que a seguir a Portugal surgem a França e a Eslováquia, onde 73,5% dos idosos não têm apoios de qualidade, seguindo-se a Irlanda (56,6%), a República Checa (49,4%) e a Alemanha (22,9%). Na Estónia, no Luxemburgo, na Noruega, na Suécia e na Suíça a taxa de cobertura é de 100%.

A falta de proteção vê-se também pela percentagem do PIB (Produto Interno Bruto) para os cuidados com os idosos. Portugal, que tem das mais altas percentagens de idosos do mundo, dedica 0,1% do PIB, o valor mais baixo dos países europeus representados, seguindo-se a Estónia com 0,2%, a República Checa com 0,3%, e a Espanha com 0,5%. Do lado oposto estão a Holanda e a Dinamarca, que dedicam 2,3 e 2,2% do PIB à proteção dos idosos.

Socorrendo-se de vários indicadores, o estudo dá ainda outra visão do apoio a pessoas com mais de 65 anos: em 2013, cada norueguês contribuía com cerca de 8000 dólares (7160 euros) para os custos dos cuidados continuados de qualidade. Cada português contribuía com 136 dólares (121 euros).

Portugal fica assim no grupo dos países que despendem entre 0 e 200 dólares (179 euros), tal como a Eslováquia e a Turquia, na Europa

"Encontramos em todas as regiões países onde entre 75 e 100% da população está excluída do acesso devido a falta de recursos financeiros", diz o estudo, colocando Portugal, a par do Gana, do Chile, da Austrália ou da Eslováquia, nesse grupo.

O estudo agora divulgado (que abarca 80% da população com mais de 65 anos) salienta que mais de metade dos idosos do mundo não têm acesso a cuidados continuados de qualidade. Em África, salienta o documento, mais de 90% dos idosos não têm apoios.

A OIT salienta que há uma falta absoluta de cobertura de cuidados de longa duração na maioria dos sistemas de segurança social, e que só 5,6% da população mundial vive em países que oferecem uma cobertura universal de cuidados de longa duração.

E ainda que quase metade da idosos do mundo não está protegida por lei em matéria de apoios continuados, e que os países mais generosos são os da Europa, ainda que no máximo dediquem 2% do PIB aos cuidados de longa duração de qualidade a idosos.

91% dos utentes do SNS sentiram um bom atendimento

De acordo com uma sondagem da Eurosondagem sobre a satisfação dos utentes do Sistema de Saúde Português em 2015, 91% da população residente em Portugal sentiu-se "bem atendida” pelos profissionais de saúde. E 74% dos inquiridos consideram que o seu problema foi bem resolvido.

Ainda a confirmar a tendência da primazia do acesso aos cuidados do SNS estão os indicadores revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) que indicam que 88% dos atendimentos em urgência são feitos no SNS, e que 71% das consultas hospitalares são realizadas nos serviços públicos de saúde. Os dados do INE mostram também que 75% do total de cirurgias feitas em Portugal são efectuadas no SNS.

Quanto ao tempo de espera, a sondagem da Eurosondagem mostra que mais de metade dos inquiridos garante não ter esperado "mais do que uma hora" pelo respectivo atendimento médico. E em relação ao tempo de espera para se ter acesso a uma consulta de especialidade, os participantes na sondagem dizem que esperaram mais de quatro semanas, o que ainda assim é o valor mais baixo registado em Portugal neste tipo de estudo.

Apesar da crise financeira e da degradação das condições de vida para muitas famílias portuguesas, bem como a imposição de taxas moderadoras no acesso ao SNS, 90% dos inquiridos garante não ter faltado às consultas por dificuldades financeiras.

Por fim, a DGS refere que este tipo de inquérito de satisfação confirma a tendência para uma "apreciação globalmente positiva do sistema de saúde e do acesso aos serviços de saúde".

Diabetes matam 13 pessoas por dia em Portugal

fonte: tvi24

O número de pessoas que morreram com diabetes em Portugal atingiu o maior valor de sempre em 2012, com um registo de 13 óbitos diários, segundo o relatório do Observatório Nacional da Diabetes, hoje divulgado.

No mesmo ano aumentou também o número de amputações associadas à doença, invertendo a tendência de redução que se verificava nos últimos anos, de reinternamentos e de novos casos entre crianças e jovens com menos de 14 anos.

Segundo o documento, em 2012 morreram 4.867 pessoas devido à diabetes, um recorde absoluto de mortes por esta doença, que tinham diminuído entre 2010 (4.744) e 2011 (4.536).

No que respeita à mortalidade hospitalar, o observatório sublinha que um em cada quatro óbitos nas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi de uma pessoa com diabetes.

O relatório aponta para uma perda de sete anos de vida por cada óbito na população com idade inferior a 70 anos.

O número de amputações major (do pé ou do membro inferior) também aumentou, contrariando a tendência de diminuição verificada nos últimos anos, com enfoque em 2011, ano em que se registou a maior redução de amputações da última década (-11%).

Relativamente ao número de novos casos de diabetes, continua a aumentar, tal como se vem verificando nos últimos dez anos, com uma taxa de crescimento médio anual de 3,8%, de 377 por cada 100 mil indivíduos (em 2000) para entre 500 e 900 (em 2012).

Quanto à prevalência da doença em 2012, foi de 12,9% (um ligeiro aumento face aos 12,7% do ano anterior) da população com idades entre os 19 e os 79 anos, o que corresponde a mais de um milhão de pessoas.

O documento revela ainda «um aumento significativo» na taxa de reinternamentos, tendo quase duplicado nos últimos três anos (14,1% em 2009 contra 27,4% em 2012).

Outro dado apontado pelo relatório é a incidência da diabetes tipo 1 nas crianças e jovens até aos 19 anos, que tem aumentado nos últimos dez anos (3.200 casos em 2012).

O observatório realça contudo que foi na faixa mais jovem (até aos 14 anos) que se detetou o maior número de novos casos de diabetes tipo 1 (19,7 novos casos por 100 mil crianças da mesma idade), valor que ultrapassa os 16,3 novos casos registados em 2011 e bastante superior ao registado em 2003.

Ainda segundo os dados do observatório, mais de uma em cada dez pessoas em Portugal tem diabetes, mas quase metade (44%) ainda não estão diagnosticadas.

A prevalência é bastante maior entre os homens (15,4%) do que entre as mulheres (10,6%), e perto de metade da população portuguesa (39,6%) já tem diabetes ou está em risco de a desenvolver.

42,2% da população é hipertensa


por Agência Lusa, publicado por Helder Robalo em Diário de Notícias (www.dn.pt)

A Sociedade Portuguesa de Hipertensão apresenta hoje na Comissão de Saúde os resultados de um estudo, segundo o qual 42,2% da população é hipertensa e um quarto dos doentes continua por tratar.

Segundo o estudo, 42,6% das pessoas com hipertensão têm a doença controlada, ou seja, quatro vezes mais do que o verificado no último trabalho realizado em 2003.

Embora a prevalência da doença continue elevada em Portugal (42,2%) e um quarto dos doentes continue por tratar, quando comparados os dados deste estudo com o realizado em 2003, é claro o aumento de conhecimento da doença, assim como a quantidade de doentes tratados e controlados.

A percentagem de doentes em tratamento aumentou dos 38,9% para os 74,9%, da mesma forma que os doentes com a doença controlada quadruplicaram, passando dos 11,2% para os 42,6%, refere o estudo.

Se se subdividir estes dados por faixas etárias verifica-se que, contrariamente ao que seria suposto, a população com menos de 35 anos - ou seja, a população ativa - é a que menos sabe sobre a doença, a menos tratada e que tem a doença menos controlada.

Por outro lado, os portugueses na faixa etária com mais de 65 anos são os que mais conhecem, mais estão em tratamento e, por consequência, têm a doença melhor controlada.

No entanto, é faixa etária em que a doença é mais prevalente e onde existem mais comorbilidades (doenças associadas).

A amostra do estudo foi constituída por 3.720 pessoas, estratificadas por sexo, grupo etário e região, representativas da realidade nacional, conforme o último Census.

Os especialistas alertam a população para a importância da adoção de estilos de vida saudável, principalmente as pessoas com hipertensão, que devem incluir na sua rotina medidas como uma alimentação equilibrada, exercício físico regular, evitar o álcool e o tabaco, além do tratamento farmacológico.

Dificuldades dos cuidadores familiares perante um idoso dependente


As dificuldades enfrentadas pela família nos casos de dependência variam de acordo com a doença, as experiências individuais e os recursos disponíveis. Um estudo desenvolvido no Brasil por Edileuza de Fátima Rosina Nardi, Lucio Mauro Rocker dos Santos, Magda Lucia Felix de Oliveira e Namie Okino Sawada descreveu as dificuldades encontradas pelos cuidadores familiares para cuidar de idosos com dependência no domicílio.

Consistiu numa pesquisa qualitativa realizada com 19 cuidadores familiares de idosos dependentes, entrevistados em visitas domiciliárias. Os resultados apontaram que cuidar de idosos dependentes, além da necessidade de conciliar diversas tarefas, exige esforço físico, ajuda de outras pessoas e o controlo emocional.

As dificuldades que exigem esforço físico e transporte do idoso foram as mais relatadas. Torna-se importante conhecer as estratégias de apoio que poderão ser utilizadas para lidar com a situação de dependência no sentido de contribuir para a melhoria da saúde do cuidador e da qualidade dos cuidados a serem por ele prestados.

DESTACAMOS OS PRINCIPAIS RESULTADOS 

1 - Falta de tempo para a manutenção da própria saúde 
[...eu dou banho, troco, tiro da cama, dou café, depois levo para o banheiro, troco a fralda (...) trago para a cozinha para almoçar, depois levo para a cama de novo, é o dia inteiro... Ele dá sinal e eu largo o que estou a fazer, pego na cadeira de rodas, sento-o, levo-o ao banheiro ou para o quarto, onde ele quiser ir, aqui dentro de casa... a noite passada dormi até meia-noite, depois fiquei todo o tempo acordada até me dar sono pelas quatro horas da manhã. Tem dias que não aguento cuidar dele porque estou cansada, porque as pessoas de idade não dormem toda a noite e por períodos...o sono deles está muitas vezes desajustado em relação ao nosso padrão de sono...]

A tarefa de cuidar exige do cuidador uma constante dedicação e disponibilidade ao longo de todo o dia. Assim, evidencia-se um panorama preocupante, uma vez que as consequências do cuidado familiar do idoso podem ser negativas tanto para o cuidador quanto para o idoso, pois a sobrecarga excessiva do cuidador compromete a qualidade do cuidado prestado ao idoso; Percebe-se que cuidar de uma pessoa dependente modifica o estilo de vida do cuidador em virtude das necessidades apresentadas pelo dependente. As atividades de recreação e convívio social acabam sendo alteradas em virtude das atividades do cuidar, e ainda da necessidade do indivíduo que carece da presença constante do cuidador. Aumenta a nossa preocupação o fato de que a atividade de cuidador de uma pessoa doente na esfera domiciliar é, na maioria das vezes, significado de negligenciar sua própria vida ou parte dela, uma vez que a prioridade no momento é cuidar de seu familiar doente e fazer o que ele necessita, abdicando de suas próprias vontades...


2 - Falta de infraestrutura para o cuidado domiciliário 
Entre alguns cuidadores, a tarefa de cuidar torna-se mais difícil em virtude da falta de adequação do espaço físico/ambiente, principalmente para o uso de cadeiras de rodas e de banho, que pode resultar em acidentes e quedas, contribuindo para um agravamento do estado de saúde do idoso e para o aumento de tarefas/cuidados e esforço físico do cuidador.

[... no banho, cadeira de rodas eu não uso, porque no meu banheiro não cabe cadeira de rodas; então, eu sento ela na sanita e dou banho. O meu banheiro é pequeno, não cabe nem cadeira de banho nem cadeira de rodas...

... a dificuldade é o local, o espaço físico. A minha casa é pequena, o banheiro não dá para entrar com uma cadeira de rodas, eu tenho que o levar puxando pela mão, sentá-lo, colocar a cadeira de banho lá dentro e dar banho, e quando termina o banho, tenho que o levantar e puxar pela mão, sendo que, se tivesse um espaço maior, daria para o tirar na cadeira... a dificuldade dele é só na hora do banho, pois eu preciso de chamar o meu vizinho, porque ele é muito pesado e eu não aguento levá-lo sozinho. Quando é para tirar da cama, preciso de chamar alguém para o tirar... ]

Verifica-se nos relatos, que a inadequação do espaço físico destinado ao cuidado do idoso dependente impacta negativamente a atuação do cuidador familiar. Neste sentido, reforça-se a importância do redimensionamento dos espaços destinados à acomodação do idoso dependente nos domicílios: aumento de espaço nos sanitários, adoção de instrumentos de estabilização postural como corrimões/dispositivos de apoio, elevação ou rebaixamento de leitos e adoção de instrumentos auxiliares para a prestação de cuidados, como cadeiras de banho, cadeiras de rodas e outros.


3 - Falta de colaboração do idoso dependente 
[...a sonda já entupiu uma vez, ela já a arrancou uma vez...nós amarramos a mão dela, mas ela escapa... ao dar o banho ela não fica quieta, cai com o corpo todo para frente. Ela não é uma pessoa de ficar sentadinha... ela vai caindo, abaixando a cabeça, com o corpo todo. Tem dias que não, ela fica mais ou menos, mas tem outros dias que – nossa senhora! - tenho que dar banho com uma mão e segurar com a outra, senão ela cai...]

Relativamente ao aspecto comportamental, alguns cuidadores não manifestaram queixas em relação aos idosos sob sua responsabilidade. Nestes casos, foi possível observar uma diferenciação quanto à intensidade do vínculo afetivo estabelecido entre as partes, o que leva a suspeita de que tal variável pode influenciar nas questões comportamentais do idoso dependente. Também vale salientar que algumas famílias não conseguem conceber as alterações cognitivas e comportamentais como indicativas de uma desordem clínica no organismo; no entanto, tais alterações são percebidas como um fator de intensificação do desgaste do cuidador, gerando certo nível de ansiedade e a adoção de formas ineficazes de lidar com a situação. Ai aconselhamos seriamente que peça o apoio de um profissional adequado. A enfermeirosPT poderá ajudar efectivamemente o cuidador a aprender novas metodologias para lidar com a situação.


4 - Insuficiência de condições físicas do cuidador 
Na avaliação desta categoria, cabe ressaltar que a maioria dos cuidadores familiares apresentava-se em franco processo de envelhecimento, e alguns possuíam, inclusive, idade muito próxima dos idosos dependentes, o que limita sua capacidade física, como se vê no relato a seguir:

... é cansativo, porque ele é pesado para eu levar ao banheiro... ele ajuda de um lado e eu firmo do outro, e tem que empurrar o pé dele para mudar. É difícil ... a gente tem isso como um trabalho do dia a dia...

Neste estudo, observa-se a predominância de atividades relacionadas com a incapacidade funcional, que se traduz na incapacidade do indivíduo de realizar atividades da vida diárias. Esta condição, que compromete a capacidade de movimento do idoso, também representa risco para o cuidador, pela sobrecarga física que advém desta atividade. Os cuidadores necessitavam de realizar várias tarefas relacionadas com as AVD´s, das mais simples às mais complexas. Evidencia-se que atividades como banho e transporte exigem do cuidador esforço físico constante. Cattani e Girardon-Perlinni alertam que cuidar de alguém com dependência requer o desenvolvimento de atividades que envolvem esforço físico, além de procedimentos que exigem concentração e planeamento, acarretando, com o passar do tempo, características stressantes da atividade de cuidar e desgaste físico e emocional dos cuidadores.


5 - Falta de apoio familiar 
Nesta categoria, a realidade encontrada refere-se a um cuidador que assume a responsabilidade total pelo idoso dependente. Tal condição apresenta-se como um fator de dificuldade para o sujeito, conforme mostra o relato a seguir:

... acho tudo difícil (...) eu tenho que cuidar, pois se eu não cuido (...) eu não vou abandoná-lo, porque vai quase 52 anos que eu estou com ele(...) eu tenho que cuidar dele porque ninguém cuida...

Diversos motivos contribuem para que uma pessoa se torne cuidador principal, destacando-se: a obrigação moral alicerçada em aspectos culturais e religiosos; a condição de conjugalidade (o fato de ser esposo ou esposa); a falta de outras pessoas para a tarefa do cuidar, caso em que o cuidador assume essa incumbência não por opção, mas, na maioria das vezes, por força das circunstâncias e as dificuldades financeiras, como no caso de filhas desempregadas que cuidam dos pais em troca do sustento. Também vale destacar que o dever de cuidar de uma pessoa dependente está relacionado com acções impostas por normas sociais, inscritas num conjunto de crenças e valores culturais compartilhados entre membros de uma sociedade e de práticas morais fixadas pela família. Reitera-se, neste contexto, a necessidade de conhecer a realidade de cada família e as estratégias de apoio que poderão ser utilizadas para enfrentar a situação de dependência, representadas por redes de apoio formal e informal à família capazes de contribuir para a melhoria da saúde do cuidador e da qualidade dos cuidados a serem por ele prestados. Não se pode desconsiderar que cada família tem a sua subjectividade e sua maneira de cuidar, com base em seus valores e crenças, contudo o apoio formal e informal é uma necessidade tanto para o idoso quanto para o cuidador e família.

Os resultados encontrados apontam a necessidade de conhecer as dificuldades vivenciadas pelos cuidadores, buscando um redirecionamento de olhares para o cuidado no domicílio, enfocando a reorganização dos serviços de assistência ao idoso, bem como a operacionalização de acções que visem a diminuição das dificuldades relatadas para que, desta forma, se contribua para a melhoria da qualidade de vida do cuidador e consequentemente a qualidade dos cuidados prestados ao idoso.

A preocupação com a saúde da família, dos idosos e dos cuidadores e com a formação de uma rede de apoio deve envolver diferentes setores de modo interdisciplinar, desenvolvendo propostas que sejam realmente efetivas e promovam a saúde de maneira integral. Para tanto, é necessário que o contexto do cuidado seja visualizado de forma integral, com o desenvolvimento de acções integradas que visem a promoção, prevenção e recuperação da saúde do idoso, cuidador e família, dentro do contexto socio-económico, cultural e ambiental em que estes estão inseridos.

Portugal - país com maior diminuição de prevalência de fumadores

A equipa INFOTABAC, composta por especialistas, apresenta a primeira avaliação sobre o impacto da aplicação da Lei do Tabaco em Portugal.  

Assim, as principais conclusões a que se chegou no relatório apresentado pela INFOTABAC são as seguintes:
  • Portugal é o país europeu com maior diminuição de prevalência de fumadores passivos no local de trabalho de 2005 para 2010, tendo‐se colocado na 6.ª posição deste indicador na Europa a 27.
  • Existe evidência da diminuição do consumo de tabaco dentro de casa após a entrada em vigor da lei.
  • Evidenciou-se uma alteração de hábitos tabágicos entre os fumadores, quer na redução do fumo activo, quer nos comportamentos que visam a redução da exposição ao fumo passivo.
  • Em 2009, o número de episódios de internamento por doença isquémica cardíaca diminuiu pela primeira vez em 16 anos. E a taxa de episódios de internamento por doença pulmonar obstrutiva crónica observou um ligeiro decréscimo.
  • A lei é percepcionada de forma muito positiva pela população, existindo, ainda, espaço para a sua melhoria na perspectiva da redução do fumo passivo.
  • Verifica‐se incompatibilidade técnica entre o cumprimento da legislação referente à qualidade do ar interior e a actual lei do tabaco.
  • A maioria da população é a favor da proibição de fumar em locais públicos e apoia as políticas de controlo do tabagismo.
  • A população reconhece que a lei contribuiu para alterar hábitos, melhorar a saúde, proteger não fumadores e melhorar a qualidade do ar em espaços públicos fechados.
  • Os diversos estudos não são conclusivos sobre a evolução das prevalências de fumadores em Portugal. No entanto:
    • Existe diminuição sustentada de consumo de tabaco no 6.º e 8.º anos de escolaridade;
    • Uma das séries apresentadas aponta uma tendência decrescente do consumo de tabaco (decréscimo estimado em 5%);
    • Nenhuma das séries estudadas mostrou tendência de aumento da prevalência de consumo de tabaco nas mulheres.
  • As consultas de cessação tabágica aumentaram 62% entre 2007 e 2009.
  • Existe alguma evidência que a publicidade ao tabaco ainda se verifica em Portugal.
A lei do tabaco aprova normas para a protecção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco e entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2008. A sua implementação marcou uma viragem decisiva na abordagem deste tema ao nível nacional.

Portugueses subscrevem seguro de saúde para complementar sistema público

fonte: Basef - Marktest

O estudo Basef Seguros da Marktest mostra que, entre os possuidores de seguro de saúde, o complemento do sistema de saúde público é a razão mais apontada para esta subscrição.

Os resultados globais de 2010 do Basef Seguros contabilizam 1 639 mil residentes no Continente com 15 e mais anos que possuem ou beneficiam de seguro de saúde, um valor que corresponde a 19.7% do universo em estudo.

Na análise da penetração de seguro de saúde por targets, vemos diferenciações importantes em todas as variáveis, sendo ao nível da classe social e da ocupação que elas são mais significativas.

Os quadros médios e superiores distanciam-se do valor médio, sendo junto destes que observamos maior penetração do produto, pois 44.7% destes indivíduos possui ou beneficia de seguro de saúde. Da mesma forma, os indivíduos das classes sociais alta e média alta também registam valores superiores à média, com 38.7%. Os empregados do comércio, serviços e administrativos (35.4%), os técnicos especializados e pequenos proprietários (32.2%) ou os jovens dos 25 aos 34 anos também apresentam penetração deste produto superior à média (29.0%).


Quando questionados sobre os motivos de subscrição deste produto, observa-se uma mudança ao longo dos últimos anos, sendo hoje mais frequentes as respostas que indicam o complemento do sistema de saúde público ou a melhoria das condições de assistência como factor de decisão, motivo apresentado por um quarto dos possuidores deste seguro.

Motivos como precaver o futuro/razões segurança foram os que mais peso perderam nos últimos anos. Este motivo, que em 2005 era apontado por 31.1% dos possuidores de seguro de saúde é agora referido por 18.4% deles.

O terceiro motivo mais frequente prende-se com as escolhas da empresa do próprio ou do cônjuge, motivo referido por 19.6% dos possuidores deste seguro.

Esta análise foi realizada com base nos resultados de 2010 do estudo Basef Seguros da Marktest.

Apoio Domiciliário: Portugal tem maior peso de cuidadores informais

fonte: Lusa

Portugal tem um maior peso de cuidadores informais em relação a países como a Bélgica, Espanha e Itália, o que permite que mais de metade dos inquiridos num estudo da Deco sobre cuidados ao domicílio permaneça nas suas casas.

A associação de defesa do consumidor enviou, entre abril e junho de 2010, um questionário a uma amostra representativa das populações belga, espanhola, italiana e portuguesa com idades entre os 55 e os 79 anos. No total, foram 2.973 europeus inquiridos, 1.049 dos quais portugueses.

Segundo o estudo, que será publicado na revista Proteste de março, 82% dos entrevistados portugueses entre os 75 e os 84 anos teriam de ser internados num lar de idosos se não fosse o “apoio e carinho” dos cuidadores.

A maioria dos cuidadores informais, em Portugal, são mulheres, sobretudo filhas, mães ou cônjuges. Muitos aceitam a tarefa por falta de alternativa ou obrigação moral, mas esquecem-se de cuidar de si. Revelam ansiedade, falta de concentração, vontade frequente de chorar, revolta, cansaço, insónia, tonturas, dor no peito, falta de ar, cãibras, espasmos musculares, falta de apetite, náuseas e vómitos, descreve a Deco.

Os cuidadores lavam, passam a ferro, vão às compras, fazem companhia e transportam os idosos. “A satisfação com estes mimos é elevada, mas nem tudo são rosas. Cerca de 40% dos idosos com pouca ou nenhuma autonomia queixam-se de nunca terem recebido cuidados dos mais próximos”, refere o inquérito.

Os cuidados médicos e de enfermagem lideram as necessidades de um quarto dos entrevistados portugueses. Um número semelhante recorreu a uma empregada doméstica. Estes três tipos de apoio são os que mais agradam, com dois terços dos inquiridos a mostrarem-se satisfeitos. Os serviços de emergência médica e os centros de dia reúnem a satisfação de metade dos entrevistados.

Para 72% dos inquiridos, o recurso a ajudas teve impacto no orçamento familiar, mas consideram que “é uma despesa imprescindível”.

A maioria dos que solicitaram cuidados de saúde tem mais de 65 anos. Trata-se sobretudo de pessoas com dificuldades financeiras ou um “orçamento à medida do mês”.

Depois de pedir o serviço, seja no público ou privado, o mais frequente é consegui-lo em menos de um mês, mas houve quem esperasse o quádruplo do tempo.

Na maioria das vezes, os cuidados de enfermagem foram prestados pelo Serviço Nacional de Saúde (60%) ou por um profissional independente (16%). A assistência médica reparte os números de forma diferente: 52% para os privados, 39% para o Estado e nove por cento para as instituições particulares de solidariedade social.

Em quase metade das situações, os serviços são contínuos. Os enfermeiros deslocaram-se a casa praticamente todos os dias, enquanto nos médicos, o mais comum foi uma visita mensal ou com periodicidade ainda menor (74%).

Os profissionais de saúde são avaliados como competentes e recetivos para ouvir os problemas, com o serviço público a par dos privados.

Quase todos os doentes assistidos por um enfermeiro ou médico do SNS ficaram isentos de custos. Os que usufruíram de serviços privados também indicaram casos em que não tiveram de pagar, talvez por estarem cobertos por um seguro.

Quem teve de custear estes serviços, em metade dos casos, desembolsou pelo menos 100 euros por mês, mas houve quem referisse 500 euros mensais.

Doença de Alzheimer: marcadores podem detectar doença mais precocemente

A presença de três proteínas no líquido cefalorraquidiano pode detectar a doença de Alzheimer antes do início dos sintomas e pode também indicar quão rápida está a ser a progressão da doença, revela um estudo publicado no “Archives of Neurology”.

Nos últimos anos, os cientistas têm tentado encontrar indícios fisiológicos que possam indicar a presença ou a possibilidade de desenvolver doença de Alzheimer. Até ao momento, ainda não existem medicamentos eficazes contra esta doença que começa a desenvolver-se cerca de uma década antes de os sintomas aparecerem. Assim, a sua detecção precoce poderá resultar na prevenção e no tratamento mais eficaz.

Neste estudo, os investigadores da Ghent University, Bélgica, mediram os níveis de três proteínas envolvidas no aparecimento da doença de Alzheimer – a proteína tau total, a proteína tau fosforilada e a proteína beta-amilóide – no líquido cefalorraquidiano de 102 indivíduos que sofriam de Alzheimer, 200 que tinham défice cognitivo e 114 indivíduos saudáveis.

O estudo revelou que um perfil proteico estava associado à presença da doença, enquanto outro correspondia a um estado saudável. Quando estes perfis foram aplicados aos dados dos subgrupos, os investigadores constataram que o perfil proteico associado à doença de Alzheimer estava presente em 90% dos indivíduos que sofriam desta demência, em 72% que apresentavam défice cognitivo leve e em 36% que não apresentavam défice cognitivo.

O perfil proteico que consistia em níveis baixos da proteína beta-amilóide e níveis elevados de proteína tau fosforilada foi observado, com 100% de fiabilidade, nos indivíduos que tinham défice cognitivo leve, o qual evoluiu para doença de Alzheimer.
O facto de o perfil proteico associado à doença estar presente em mais de um terço dos indivíduos sem sinais de défice cognitivo sugere que a patologia da doença de Alzheimer está activa e é detectável mais cedo do que se imaginava, concluem os autores do estudo. Estes dados indicam que é necessário fazer uma revisão dos actuais critérios de diagnóstico para a doença de Alzheimer ou, pelo menos, para os estádios iniciais da mesma.

Crianças portuguesas ingerem quatro vezes mais sal do que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda


fonte: Rádio Renascença

Em cada hora que passa morrem em Portugal duas pessoas vítimas de Acidente Vascular Cerebral. O AVC é a principal causa de morte no nosso país, muito por causa dos portugueses não controlarem a sua tensão arterial.

No Dia Mundial da Hipertensão, que se celebra hoje, os especialistas apelam ao controlo desta doença que afecta quase metade da população.

O primeiro passo para controlar a hipertensão é comer comida menos salgada. “Os portugueses, de uma maneira geral, ingerem o dobro do sal que a Organização Mundial de Saúde recomenda. Nos ingerimos 12 gramas e a organização recomenda seis gramas”, explica José Alberto Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

É também recomendado que as crianças consumam metade da quantidade de sal recomendada aos adultos, mas isso nem sempre é fácil de conseguir.

“A OMS recomenda que para as crianças a ingestão de sal, por dia, deve ser no máximo de três gramas, ou seja, metade daquilo que aconselham para o adulto. Em Portugal, como todos comem da mesma comida em casa, as nossas crianças comem quatro vezes mais”.

A mudança de hábitos alimentares pode reduzir a hipertensão. É o alerta deixado neste dia Mundial da Hipertensão, cujas celebrações, este ano, estão centradas em Matosinhos com a realização de rastreios à pressão arterial e a outros factores de risco cardiovascular.

Cuidados em Saúde Mental e necessidade de acompanhamento telefónico

Considerando que:

1) Um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas.

2) A grande maioria dos que sofrem de perturbações psiquiátricas não tem acesso a qualquer tratamento médico.

3) A maior parte dos recursos médicos continua centrada em Lisboa, Porto e Coimbra e funciona apenas em horário diurno durante os dias úteis.

5) A nível privado, os custos da saúde mental são elevados, não estando acessíveis a toda a população.

6) Actualmente privilegia-se a intervenção em comunidade em detrimento dos internamentos, mas não há redes de cuidados na comunidade.

7) Nos Centros de Saúde os médicos não têm tempo para falar com o doente mental durante o tempo que lhe parece necessário.

8) Em Portugal verifica-se uma quase total ausência de programas de prevenção e promoção de saúde mental.

9) Faz parte do Plano Nacional de Saúde Mental (PNSM) a criação de estratégias e programas de prevenção da depressão, ansiedade e do suicídio.

10) Faz parte do PNSM o apoio a linhas telefónicas de prevenção de suicídio.

Em Portugal é importante criar/manter linhas telefónicas de ajuda na área da saúde mental. Nalguns casos, este é o único serviço de apoio emocional a quem algumas pessoas podem recorrer. Na Europa, já existe um número verde de emergência – 116123 – que em Portugal não está atribuído a nenhuma instituição. No entanto temos um apoio similar que é promovido pela Linha Voz Amiga, número 21 354 45 45. Ver www.enfermeirospt.com


Por vezes podemos pensar que este tipo de projectos não traz vantagens mas destacamos alguns ganhos em saúde:

- Este serviço ajuda a libertar os serviços oficiais de saúde.

- Presta um apoio transversal a todo o país sem burocracias ou entraves através do simples custo duma chamada telefónica.

- Permite falar em anonimato e sem constrangimentos, porque o contacto não é presencial.

- Está disponível também para pessoas com mobilidade reduzida.

- É um serviço que, pelas suas características, apresenta um baixo custo de funcionamento, mas em contrapartida fornece um serviço de qualidade com valor acrescentado para a sociedade portuguesa.

Mais de 70% dos grandes frequentadores das urgências sofrem de doença crónica


fonte: ionline

Mais de 70 por cento dos "grandes frequentadores" das urgências, com quatro ou mais admissões anuais, recorrem a estes serviços por "descompensação" de doenças crónicas, revelou hoje o coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Auto-Imunes (NEDAI).

A "imagem habitual" dos serviços de urgência é repleta de "doentes idosos que ali recorrem por descompensação de uma doença crónica e de doentes que sofrem de três ou quatro outras patologias igualmente crónicas, com má aderência à terapêutica e problemas sociais", descreveu Luís Campos no II Fórum Internacional sobre o Doente Crónico, que decorre hoje e sábado em Lisboa.

O médico internista adiantou que a resposta que o sistema de saúde dá aos doentes com doenças crónicas é "episódica, reativa", que incentiva o recurso às urgências em vez de incentivar alternativas mais eficientes e adequadas.

O Inquérito Nacional de Saúde 2005/2006 refere que 5,2 milhões de portugueses (54 por cento da população) sofrem de, pelo menos, uma doença crónica, mas há cerca de 2,6 milhões (29 por cento) que sofrem de duas ou mais e cerca de três por cento da população sofrem de cinco ou mais doenças crónicas.

Luís Campos citou um estudo do investigador Miguel Gouveia para mostrar o impacto das doenças crónicas no mercado de trabalho, que pode ter custos muito superiores aos dos cuidados de saúde. Um exemplo é o caso da diabetes.

"Os custos do internamento atribuível à diabetes foram perto de 85 milhões de euros em 2008, mas as saídas precoces do mercado de trabalho custaram à economia portuguesa mais de 324 milhões, ou seja 3,8 vezes mais", frisou.

Segundo o médico internista, apenas 5 por cento das pessoas internadas nos hospitais públicos são responsáveis por 30 por cento do total de dias de internamento, sendo na sua grande maioria doentes crónicos.

Presente no Fórum, a ministra da Saúde, Ana Jorge, afirmou que os serviços de saúde modernos têm de ser capazes de responder de forma eficaz às doenças crónicas apostando na prevenção e cuidados a longo prazo. A alta comissária da Saúde defendeu, por seu turno, que os os cuidados de saúde e a equidade de acesso são fundamentais para o controlo da doença crónica. "A morte antes dos 65 anos por asma ou antes dos 49 por diabetes é exemplo de um padrão dos cuidados de saúde não efetivos em tempo útil. A morte prematura por diabetes é paradigma da deficiência dos cuidados primários e hospitalares e de articulação entre esses dois níveis", frisou Maria do Céu Machado.

Para a médica, o acesso dos doentes deve ser "pelos cuidados primários e não centrados nos hospitais, onde não se faz prevenção de forma organizada, o episódio agudo envolve tecnologia sofisticada e dispendiosa e a alta carece de orientação que previna o reinternamento"

Os enfermeiros enquanto agentes de educação para a saúde



autores: Ana Bernardino, Cátia Machado, Elsa Alves, Hélder Rebouço, Renata Pedro, Pedro Gaspar;


A promoção da saúde em geral e a Educação para a Saúde (EpS) em particular, devem ser encaradas como tarefas de cidadania organizadas, em que se verifique a participação activa dos cidadãos. Não obstante esta necessidade de participação colectiva, os enfermeiros desempenham um papel relevante enquanto agentes de EpS.


Após Alma-Ata e do período de questionamento do modelo biomédico que se lhe seguiu e procurou esclarecer que o centro da atenção da enfermagem deve estar voltado para a promoção da saúde e prevenção da doença na pessoa vista como um todo, inserida na família e comunidade e interagindo com os profissionais de saúde (CARVALHO e CARVALHO, 2006), a EpS tornou-se cada vez mais importante na enfermagem (LASH, 1990), profissão que na área da saúde tem como objectivo prestar cuidados de enfermagem ao ser humano, são ou doente, ao longo do ciclo vital, e aos grupos sociais em que ele está integrado, de forma que mantenham, melhorem e recuperem a saúde, ajudando-os a atingir a sua máxima capacidade funcional tão rapidamente quanto possível (Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros, 1998). E neste sentido, o papel do enfermeiro passa por possibilitar a autonomia, criar oportunidades, reforçar convicções e competências, respeitando as decisões e os ritmos de aprendizagem dos utentes, num processo de crescimento e desenvolvimento.


Todo o enfermeiro deve ser, por inerência das suas funções, um educador para a saúde. No que diz respeito ao conteúdo funcional de todas as categorias da Carreira de Enfermagem (Decreto-Lei n.º 437/91 parcialmente alterado pelos Decretos-Lei n.º 412/98 e 411/99), na alínea c) do artigo 7 do Decreto-Lei n.º 437/91 faz parte a execução de cuidados de enfermagem que integrem processos educativos e que promovam o auto-cuidado do utente. Esta função aponta claramente para a realização de actividades de EpS.


Nos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem (2001) definidos pela Ordem dos Enfermeiros, é salientada a importância do desempenho do papel de agente de EpS ao referir-se que na procura permanente da excelência no exercício profissional, o enfermeiro ajuda os clientes a alcançarem o máximo potencial de saúde, através de: (1) Identificação da situação de saúde da população e dos recursos do utente/família e comunidade; (2) Criação e aproveitamento de oportunidades para promover estilos de vida saudáveis identificados; (3) Promoção do potencial de saúde do utente através da optimização do trabalho adaptativo aos processos vitais, crescimento e desenvolvimento; e (4) Fornecimento de informação geradora de aprendizagem cognitiva e de novas capacidades pelo utente.


A EpS implica transmitir informação de forma compreensível para a população. Os educadores eficientes também se concentram em dar o feedback e a avaliação apropriados a fim de estimular a aprendizagem (HOCKENBERRY, WILSON e WILKENSTEIN, 2006). Não basta a simples transmissão de informação científica e técnica, culturalmente neutra. É necessária uma verdadeira interpretação da cultura dos indivíduos, considerando os seus conhecimentos prévios, valores e comportamentos (CARVALHO e CARVALHO, 2006), numa sequência de intervenções vão desde

(1) Identificar o que o utente pretende saber;

(2) Determinar o que o utente pretende aprender;

(3) Entender a motivação e aptidão para aprender;

(4) Colher os dados do utente, família e comunidade, tendo em atenção os factores de aprendizagem;

(5)Avaliar os dados de forma a identificar as necessidades de aprendizagem;

(6) Incentivar e promover a participação do utente no processo de aprendizagem e

(7) Ajudar no estabelecimento de prioridades de aprendizagem do utente (PACHECO e CUNHA, 2006).


Torna-se claro que os enfermeiros necessitam de diferentes tipos de competências para um efectivo desempenho do papel de agentes de EpS. De entre as competências específicas definidas por LASH (1990) destacam-se:

(1) escutar activamente os indivíduos e identificar quais as suas convicções acerca da saúde;

(2) criar uma relação de ajuda;

(3) criar interesse e entusiasmo pelo bem-estar dos utentes;

(4)participar com os indivíduos no processo de tomada de decisões;

(5) ajudar a clarificar as escolhas à disposição dos utentes;

(6) desenvolver as suas próprias capacidades de comunicação e aconselhamento;
(7) conferir autoridade quer a si próprios, quer aos utentes e

(8) conseguir que os utentes respondam e se adaptem aos desafios e obstáculos que encontrem.


Posteriormente, AMADO e outros (1999) acrescentam que, com base na sua formação e para optimizar a sua função enquanto agente educador, o enfermeiro deve ser imparcial, deve saber escutar, saber dar suporte, saber guiar, respeitar crenças, valores e atitudes dos utentes, assim como respeitar a autonomia de cada pessoa.


Recorrendo ao léxico da Classificação Internacional para a Prática da Enfermagem (CONSELHO
INTERNACIONAL DE ENFERMEIRAS, 2005), é possível fazer uma reflexão acerca do que deve caracterizar o enfermeiro em EpS. Assim, é primordial saber Interpretar, isto é, compreender as necessidades de saúde da população. Para tal, não basta Informar, ou seja, comunicar alguma coisa ao doente/família. É essencial Educar, ou transmitir conhecimentos pertinentes para a saúde do também importante fornecer a informação sistematizada integrando-a no devido contexto, ou seja, Instruir, de modo a Permitir, ou dar uma oportunidade ao doente/família, de Optimizar a sua saúde, ou seja, obter os melhores resultados em termos de saúde. Neste contexto, assume primordial importância o facto de tornar as coisas compreensíveis e claras, ou Explicar, através do Orientar que é dirigir o doente/família para as melhores decisões relacionadas com a saúde, e também Aconselhar ou, através do diálogo, capacitar os indivíduos a tomar as suas próprias decisões. Para tal, o enfermeiro deve Colaborar, isto é, trabalhar em conjunto com o doente/família, pois só assim consegue Estimular, ou incitar os indivíduos a adoptar comportamentos saudáveis.


Porque ainda se observam dificuldades na assumpção plena do papel de agente de EpS que se exige na prossecução da excelência em Enfermagem, achamos pertinente averiguar de que forma os enfermeiros relatam as suas práticas e comportamentos enquanto agentes de EpS, quais os factores que as influenciam e quais são mais frequentem relatadas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os esforços na Educação para a Saúde devem ser encarado numa perspectiva de cidadania, em que todos os cidadãos têm um papel a desempenhar, mas é consensual que os enfermeiros devem assumir um papel de relevo. Para tal é importante conhecer as práticas e comportamentos de Educação para a Saúde mais frequentemente adoptados pelos enfermeiros, e identificar áreas de formação específicas e prioridades no desenvolvimento de competências. Com este estudo elaborou-se e validou-se a Escala de Práticas e Comportamentos de Educação


Para a Saúde (EPCEPS), que revelou adequada validade dos itens e fidelidade. A estrutura da escala mostrou-se pertinente, e a sua utilização é uma possibilidade para desenvolver o conhecimento das práticas e comportamentos de Educação para a Saúde mais frequentemente adoptados pelos enfermeiros, auxiliando a reflexão sobre as formas de planear e desenvolver acções de desenvolvimento de competências específicas.

METADE DA POPULAÇÃO SOFRE DE UMA DOENÇA CRÓNICA


fonte: Mundo Sénior

imagem: Idade Maior

Metade da população portuguesa sofre de uma doença crónica, patologias que crescem cerca de 2,5% ao ano no grupo dos idosos e representam cerca de 60 a 80% das despesas em saúde, noticia a Lusa/Público.

O Inquérito Nacional de Saúde 2005/2006 refere que 5,2 milhões de portugueses (54%) sofrem de, pelo menos, uma doença crónica, mas há cerca de 2,6 milhões (29%) que sofrem de duas ou mais e cerca de 3% da população sofrem de cinco ou mais doenças crónicas, diz o coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Auto-Imunes (NEDAI), Luís Campos. O ritmo de crescimento destas doenças é “bastante acentuado”: cerca de 1% ao ano na população em geral e cerca de 2,5% nos idosos, referiu.

Em termos de doença crónica, a cárie dentária é a mais prevalecente, atingindo 54% da população, seguindo-se a hipertensão arterial (42%), a dor crónic a (31%), as perturbações mentais (23%) e a rinite alérgica, que atinge 20,5% da população, adianta Luís Campos, citando vários estudos. Muitos destes doentes são tratados nos serviços de urgência. “Estão a ser tratados de uma forma reactiva, baseada nos episódios agudos”, referiu.

Nos 3% da população que acumula cinco ou mais doenças crónicas, as mais frequentes são a hipertensão, que afecta 80% destes doentes, a doença reumática (77%), depressão (52,6%), osteoporose (48%), diabetes (37%) ou as pedras nos rins (37,9%). Naturalmente, os idosos são os mais afectados. Cerca de metade destes doentes tem mais de 65 anos e 40% terão entre 45 e 64 anos.

SAGE: AUTO-AVALIAÇÃO PARA DÉFICIT COGNITIVO

Dr. Douglas Scharre, um neurologista da Ohio State University Medical Center, desenvolveu o SAGE (Self-Administrado Gerocognitive Examination) teste que objetiva ajudar a identificar indivíduos com perda de memória em estágio inicial. A pesquisa realizada por Scharre mostra que quatro em cada cinco pessoas com déficit de memória serão detectadas por este teste, e 95% das pessoas que estão sem dificuldades cognitivas terão pontuação adequada no SAGE.

Scharre, que é especialista em tratar clientes com a doença de Alzheimer, disse que os tratamentos para essa e outras demências são mais eficazes quando são iniciados na primeira fase. No entanto, segundo ele, infelizmente muitas vezes esses pacientes só procuram ajuda com três ou quatro anos depois dos primeiros sintomas de um transtorno cognitivo.

“É um problema recorrente”, disse Scharre. ”As pessoas não são auto-suficientes para um diagnóstico, e/ou as famílias tendem a resistir porque não querem a confirmação “dos seus piores medos”. Para o Dr. Scharre seja qual for a razão do diagnóstico tardio, é lamentável, porque as drogas que estão usando atualmente funcionam melhor quanto mais cedo forem iniciadas”.

Para o Dr. Scharre muitos dos instrumentos de avaliação de distúrbios cognitivos que estão sendo usados hoje têm aspectos que dificultam a sua utilização, como o tempo de aplicação e a forma de avaliar que é demasiadamente desconfortável para os clientes que sentem-se testados. Além disso, outros exames atuais de diagnóstico exigem que o paciente use um computador, o que pode adicionar elevado nível de ansiedade para alguns adultos mais velhos, que podem ser usuários ocasionais da tecnologia.

Defende também que as avaliações cognitivas devem estar e serem eficazes em contexto de cuidados primários, como é o caso do SAGE. O SAGE é um instrumento de auto-avaliação prático para atendimento primário.

Leva apenas um papel, caneta e alguns minutos para fazer o teste. ”Eles podem fazer o teste na sala de espera enquanto aguardam o médico” por exemplo.

Scharre disse que há um potencial de redução de custos ao usar testes em ambiente de cuidados primários. Uma pessoa que faz o seu auto-exame provavelmente será mais complacente a tomar medicamentos ou seguir outras recomendações.

Em relação à familiares e cuidadores, Scharre acrescenta que ”Os resultados dos testes anormais podem servir como um alerta para a família do utente”; ”Os resultados podem ser um sinal de que os cuidadores podem precisar de ser mais atenciosos a pequenos aspectos.

Para validar os resultados do exame, Scharre e outros pesquisadores da Ohio State avaliaram os participantes do estudo utilizando SAGE, e, em seguida, avaliarams os mesmos temas com uma bateria de outros instrumentos de avaliação. O estudo envolveu 254 participantes com a idade igual ou superior a 59 anos. Sessenta e três (63) indivíduos foram selecionados aleatoriamente para ter uma avaliação clínica de um dia, utilizando uma bateria de exame físico, neurológico e cognitivo.

O SAGE foi comparado favoravelmente com o mini exame do estado mental (MMSE), que é comumente utilizado na medicina para triagem de alterações cognitivas e demência.

Ambos os testes foram capazes de diferenciar clientes clinicamente normal e com melhora cognitiva. No entanto tanto o MMSE quanto o SAGE não foram capazes de distinguir entre os grupos clinicamente normal e com discreta melhora cognitiva.

Para fazer DOWNLOAD do manual, do teste e do score – clique aqui

Fonte: Alzheimer’s Reading Room e Reabilitação Cognitiva

FALTA DE DINHEIRO PARA REMÉDIOS AFECTA UM TERÇO DOS DOENTES CRÓNICOS

fonte: Mundo Sénior


Um terço dos doentes crónicos admite que não compra remédios receitados pelo médico por falta de dinheiro, com maior ou menor frequência. Com um gasto médio mensal de 62,31 euros em medicamentos, mais de metade considera que esta factura representa um peso elevado ou muito elevado no seu orçamento familiar, destaca o Público. São os mais idosos e menos escolarizados os principais afectados por este problema. Esta é uma das realidades que emergem do estudo “A Adesão à Terapêutica em Portugal”, que hoje vai ser apresentado num simpósio sobre o tema, em Lisboa.

Foi a primeira vez que em Portugal se fez um inquérito de âmbito nacional sobre a forma como os doentes aderem às indicações dadas pelos médicos sobre os tratamentos a seguir. Coordenado pelos sociólogos do Instituto de Ciências Sociais (ICS) Manuel Villaverde Cabral e Pedro Alcântara da Silva e patrocinado pela Apifarma, o estudo visou traçar um perfil das atitudes e comportamentos da população portuguesa relativamente à adesão à terapêutica.

O factor económico não é o mais valorizado pelos 1400 inquiridos, quase metade dos quais acreditam ser o esquecimento o principal motivo que pode levar as pessoas a não seguir totalmente as indicações dos médicos. Ainda assim, as restrições económicas representam mais de um quarto do conjunto das razões de natureza comportamental. Na subamostra de pessoas que têm ou tiveram problemas de saúde, se um quarto diz prescindir de alguns medicamentos por não poder comportar os custos, é maior ainda a percentagem dos que abdicam de ir ao dentista por falta de dinheiro (28,6 por cento). A compra de óculos e as consultas médicas também são afectadas (21 e 18,4 por cento, respectivamente).

POPULAÇÃO ESTÁ A ENVELHECER COM MAIS INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL

fonte: Mundo Sénior

A população portuguesa está a envelhecer com independência funcional e hábitos de vida favoráveis, revela um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, divulgado pela Lusa/RCM Pharma.

O estudo avaliou a autonomia funcional no âmbito físico, mental e social de 2.516 indivíduos representativos da população continental, tendo a amostra sido estratificada por três grupos etários, 55-64 anos, 65-74 anos e maiores de 75 anos, por género e por região. Tratou-se de um estudo do perfil de envelhecimento da população portuguesa, com a finalidade de caracterizar o processo, avaliando o aspecto social, a vulnerabilidade biológica, a saúde física e mental e a autonomia dos indivíduos.

Segundo as conclusões, a idade limite estimada para o aparecimento de factores de dependência funcional passou a ser os 70 anos. Numa análise por grup o, os autores do estudo concluíram que a faixa dos 55-64 anos apresentou menor percentagem de casos desfavoráveis na maioria dos parâmetros estudados, excepto no domínio dos hábitos de vida e tabagismo.

Relativamente à análise por região, constata-se que o Norte apresenta uma situação mais desfavorável quanto à rede social e à avaliação cognitiva, enquanto o Alentejo se destaca por apresentar o dobro da probabilidade de dependência funcional da região de Lisboa e Vale do Tejo. Como eventuais causas, Santos Rosa aponta as diferenças genéticas e os hábitos de vida e alimentares completamente diferentes no Norte, onde a “alimentação é mais calórica”.

O estudo visa promover o desenvolvimento de planos estratégicos de intervenção ao nível de prevenção, tratamento e reabilitação, contribuindo para a promoção de estilos de vida saudáveis e bem-estar da população idosa portuguesa.

Hospitalização pode aumentar o risco de demência em idosos



fonte: ALERT® Saúde na Internet

Os idosos hospitalizados correm um maior risco de declínio mental e de desenvolver demência, revela um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association” (JAMA).

Para o estudo, os cientistas da University of Washington em Seattle, nos EUA, analisaram os dados de 2.929 pessoas, com mais de 65 anos, no período entre 1994 e 2007.

Nenhum destes idosos apresentava declínio cognitivo no início do estudo. Ao longo da avaliação, foram hospitalizados 1.328 dos participantes (1.287 por doenças não críticas e 41 por doenças críticas). Entre os hospitalizados com doenças menos graves registaram-se 228 casos de demência, enquanto nos idosos não hospitalizados detectaram-se 146 casos de declínio cognitivo.

Depois de ajustar diversos factores, os investigadores concluíram que os pacientes hospitalizados por doenças não críticas tiveram uma probabilidade 40% maior de desenvolver demência do que os que não estiveram hospitalizados. Os autores do estudo explicaram que os idosos hospitalizados com doenças críticas também apresentaram um maior risco de demência, contudo, o resultado não foi significativo, possivelmente devido ao reduzido número de pessoas do grupo.

“O mecanismo por detrás desta associação é incerto”, escreveu o autor do estudo em comunicado enviado à imprensa, acrescentando que “estes resultados também podem sugerir que factores associados à doença aguda e, em maior medida, à doença crítica poderão ter uma relação causal com o declínio cognitivo verificado”. Alguns desses factores são a hipoxemia, a hipotensão, a desregulação da glicemia e a medicação sedativa e analgésica.

+ Visualizados